
Não quero ouvir mais. Por favor pára!
Depositei tanta confiança em ti...eras tudo!
Era como se eu fosse o barco sem remos e tu o mar que me balançava e me indicava o caminho. Agora sinto-me á deriva...sem remos...sem norte...sem porto seguro.
Já não me guias, já não me dás vida. Tornaste-te numa tempestade que me encaminha para o cabo das tormentas. Há lá monstros e eu sinto medo.
Estou perdida...
Lágrimas.
Tantas lágrimas verti por ti.
Saudade.
Sofrimento.
Esperança.
Dor.
Lembranças, recorações.
Memórias, apenas memórias...nada real e actual.
Como a distância foi nossa inimiga.
Como o passado nos condenou.
Como a saudade nos desfez.
O que sobrou?
Lágrimas para derramar. A única coisa que não acaba.
Mágoa. Tristeza. Angústia. Sofrimento.
Enquanto eu derramava lágrimas por ti, tu derramavas sobre o teu leito o teu corpo e o dela.
Enquanto ela te enganava e iludia eu sofria por ti.
Mereci. Eu sei.
Mas se Deus condena a vingança porque é que todos pagamos pelos nossos erros pelas mãos dos outros?
Só agora vês. Estavas cego de amor. Cego de sede, Cego de desejo. Cego de saudade.
Nem sequer vias que ela te enganava, te iludia...e te levava.
Nem que eu sofria e te embalava com o meu amor.
Eu mereci. Eu sei.
Agora sei.
Só agora vejo.
Não aprendi nada que já não soubesse mas ao menos serviu para tu aprenderes.
Sacrifiquei-me.
Entreguei-me ao sofrimento tão fácil.
E agora é tão difícil levantar-me sozinha e seguir em frente.
Ainda te quero.
Estou aqui.
Perdida à espera de um rumo.


